quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Insubstituivel e sem opção




Ela olhou pro lado e tudo aparentemente estava igual, aquele velho abajur estava naquela típica mesinha de cabeceira, e aqueles mesmo lençóis estavam na cama, ela vestia aquele mesmo pijama que acompanhava aquele moletom furado que ganhou do ex namorado... A cortina tipicamente fechada sem deixar um flash se quer de Sol passar.  É, tudo parecia normal, a não ser pelo fato do grande e incurável buraco que tinha sido cavado em seu peito, por algo tão maior e inexplicável, agora ela se via sozinha refletida no espelho e incapaz de levantar daquela cama, não por falta de força, mas sim por falta de coragem de olhar pros lados e ver tudo que sonhou e imaginou ter construído desmoronado, ver que todos seus planos foram corrompidos, ver que mesmo com tudo no lugar ela estava fora do eixo, fora do contexto que a vida oferecia... Secando as lagrimas que insistentemente caiam de seus lindos olhos verdes, ela olhava para os lados buscando a coragem que dentro dela já não existia, então ela olhou pro lado, viu a foto de sua mãe numa tarde no parque com ela, então lembrou de todos os momentos bons e do pior que teve também, lembrou que ver sua mãe partindo para nunca mais voltar tinha sido o bastante para lhe fortalecer, e cinco anos já aviam se passado desde aquele trágico episodio, então lembrou que se teve coragem de levantar da cama sabendo que aquela que era a única que a amava incondicionalmente já não estava mais. Por que um simples rompimento de noivado a derrubaria?
Pensou em tudo que sofreu e viu que a dor de agora não era e nunca séria comparada aquela de perder quem realmente se ama e quem te ama... Então aprendeu que á coisas bem piores que ser deixada pelo noivo, á coisa pelas quais não podemos optar e nem substituir. E o amor de mãe é assim, insubstituível e sem opção, você a ama naturalmente. E um noivo você arruma outro, ate um ser o mais certo o possível pra você.

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